Sessões Coordenadas

Fonética

Coordenação: Alexsandro Meireles – UFES

Variação rítmica no dialeto capixaba

Me. Jair Almeida Silva – UFES

Estudar o ritmo da fala de uma comunidade linguística não é uma tarefa das mais simples, entretanto a análise desta característica tão peculiar de cada comunidade/indivíduo configura-se uma empreitada desafiadora e gratificante a partir do momento em que conexões e resultados objetivos são colhidos em meio ao universo de cálculos e estatísticas. O trabalho diz respeito a estudos sociofonéticos comparativos dos processos fônicos prosódicos relacionados à variação da taxa de elocução no dialeto capixaba, visando ao aperfeiçoamento de um modelo dinâmico de produção do ritmo da fala (Barbosa, 2006; Meireles, 2009). Ao se alterar a taxa de elocução dos grupos acentuais de um enunciado pode ser produzida uma reorganização dessas estruturas na cadeia frasal a ponto de se gerar uma reestruturação rítmica. No corrente experimento foram utilizadas frases isoladas lidas por 4 informantes subdivididos em categorias sociais (gênero e idade). Por se tratar de um experimento baseado na leitura de um corpus de 11 frases, os resultados demonstram que hipoteticamente falantes/leitores pertencentes a um nível etário, e consequentemente escolar, maior realizam padrões fonético-acústicos mais regulares e estruturados em termos de duração e desvio padrão das unidades VV e dos grupos acentuais. Em termos de VV por grupo acentual os falantes/leitores de maior faixa etária, em geral, tendem a realizar padrões isócronos entre as três taxas analisadas (lenta, normal e rápida). Por fim, com o intuito de se obterem resultados objetivamente comprovados em níveis acadêmicos e científicos, o atual trabalho poderá ajudar a formar um banco de dados que possa servir de base para possíveis investigações sociofonéticas e acústicas em níveis ainda mais aprofundados.

Palavras-chave: ritmo • duração • acento • grupos acentuais • taxa de elocução (TE) reestruturações rítmicas • sociolinguística.

Quadro fonético das vogais do pomerano falado no Espírito Santo

Shirlei Conceição Barth Schaeffer – mestranda PPGEL – UFES

O estado do Espírito Santo possui municípios cuja população possui o português como segunda língua, fato decorrente da imigração do século XIX. Dentre os grupos europeus que se fixaram no estado estão os pomeranos que ainda utilizam a língua e os costumes dos seus antepassados cotidianamente, os quais se concentram, principalmente, em Santa Maria de Jetibá, Santa Leopoldina, Domingos Martins e Laranja da Terra. Apesar de um número significativo de falantes e 150 anos da chegada desses imigrantes, a língua pomerana possui poucos estudos acadêmicos. Sendo assim, percebe-se a urgência de descrever essa língua de imigração, por isso, o presente trabalho objetiva explicitar dados fonéticos das vogais que constituem o inventário fonético dessa língua falada no Espírito Santo seguindo os procedimentos da Fonêmica tradicional (Pike, 1966), cunhada no estruturalismo norte-americano, no intuito de fornecer subsídios para pesquisadores e educadores interessados. O corpus será constituído por entrevistas individuais e aplicação de um questionário fechado com palavras isoladas e discursos semi-dirigidos, o que será gravado em aparelho específico. Em seguida, os dados serão analisados e transcritos com o auxílio do programa Praat que resulta espectogramas para melhor verificar as ocorrências e sistematizá-las.

Palavras-chave: Pomerano • vogais • fonética

Análise Acústico-Comparativa das Vogais Brasileiras (Dialeto Capixaba) com as Vogais Norte-Americanas (Dialeto do Meio-Oeste)

Irma Iunes Miranda – mestranda – PPGEL – UFES

A qualidade das vogais, bem como sua duração, dentre outros aspectos, definem as características prosódicas da fala: acento, entonação e musicalidade. Tais fatos nos convidam a investigar proximamente os sons vocálicos produzidos por duas línguas diferentes, caso tenhamos a intenção de observar o comportamento de uma dessa línguas em relação à outra, em outras palavras: compará-las. Esse trabalho tem como objetivo estabelecer uma comparação acústica das vogais orais do português brasileiro com as vogais do inglês americano. Do ponto de vista segmental, o português brasileiro apresenta em seu repertório sete segmentos vocálicos orais e cinco nasais e o inglês americano apresenta onze sons vocálicos orais. Tais sons são classificados pelos diferenciados ajustes dos articuladores, que ocorrem graças às mais diversas configurações do trato vocal. O método consiste na análise acústica de gravações de realizações de falantes possuidores de variações menos marcadas. Para o português brasileiro serão estudados falantes capixabas e para o inglês americano, falantes de regiões específicas do Meio-Oeste. Feitas as gravações, os fonemas serão isolados acusticamente e localizados no gráfico de frequências através o programa AKUSTYK. Dessa forma, suas posições no gráfico de frequências poderão ser comparadas e a qualidade das vogais será definida de acordo com seu posicionamento no gráfico. Tratamentos estatísticos, como a normalização, se farão necessários para que haja a compensação das distinções entre os tratos vocais dos diferentes falantes.

Palavras-Chave: Análise Acústico-Comparativa • Vogais Brasileiras • Dialeto Capixaba • Vogais Norte-Americanas

 

Variação rítmica nos dialetos mineiro, baiano e capixaba

Viviany de Paula Gambarini – UFES

Considerado por alguns estudiosos como uma língua de ritmo acentual, o português-brasileiro (PB) também tem sido estudado como uma língua de ritmo misto. A partir de estudos de alguns pesquisadores, como Roach, que em 1982 afirmou que nenhuma língua é totalmente silábica ou totalmente acentual, este trabalho tem buscado mostrar que a variação da taxa de elocução pode resultar na variação do ritmo de fala (MEIRELES, 2007; p.106). Ou seja, este estudo visa a comprovação da hipótese de que o português brasileiro é uma língua de ritmo misto dependendo de vários fatores como, por exemplo, condições de produção da fala, dialeto. Para a elaboração da pesquisa, foram analisados falantes do dialeto mineiro e baiano, de ambos os sexos. Os resultados da análise acentuaram o caráter misto do ritmo em PB. O estudo, em questão, prosseguirá até 2011, dessa vez através das análises também do dialeto capixaba.

Palavras-chave: Português Brasileiro • dialeto baiano • dialeto mineiro • ritmo de fala • tipologia rítmica

Estudo do ritmo da fala em descendentes de italianos no município de Santa Tereza – ES

Maria da Penha Merlo – UFES

O projeto diz respeito a estudos comparativos dos processos fônicos prosódicos relacionados à variação da taxa de elocução no dialeto dos falantes descendentes de italianos na comunidade lingüística de Santa Tereza, com análise de corpora para as faixas etárias compreendidas entre 14 – 30 e 61-75 anos, visando ao aperfeiçoamento de um modelo dinâmico de produção do ritmo da fala (Barbosa, 2006; Meireles, 2007). As hipóteses para esses estudos são: i) a influência da língua italiana no ritmo da fala de descendentes italianos que tem como língua materna o português brasileiro; ii) interferência no grau de  proficiência do português como língua materna.

Palavras-Chave: ritmo da fala  •  descendentes de italianos  •  Santa Tereza-ES

Literatura e Cultura

Coordenação: Fabíola Padilha – UFES

A experiência na contemporaneidade: relendo Walter Benjamin

Daise de Souza Pimentel – UFES (doutorado Letras)

A separação entre experiência e conhecimento é um traço da modernidade.  Segundo Walter Benjamin, a experiência individual __  a Erlebnis __ própria do mundo capitalista, acentua-se na modernidade devido ao enfraquecimento da Erfahrung, a experiência coletiva, que o pensador relaciona ao fim da arte de contar em “O narrador”.  O conhecimento expresso pela experiência compartilhada é aurático, porque vem da tradição, que assim se perpetua.  Esse conhecimento se dilui na modernidade, quando a apreensão do mundo se realiza através do choque __ experiência do movimento e do sedentarismo. Na contemporaneidade, toda uma audiência global, nocauteada pelas redes de informação e tecnologias de comunicação, passa a assimilar como seu um passado que só aconteceu realmente no cinema e na TV. Pretende-se investigar, neste trabalho, essa “experiência” própria de uma cultura midiática.

Palavras-chave: experiência • modernidade e pós-modernidade • destemporalização

O homem que não estava lá?

 João Paulo Matedi – Doutorando em Letras – UFES

A escrita é espaço de construção da identidade ou espaço de dispersão? Diz respeito à subjetividade de um sujeito ou é o lugar de uma trama intertextual e polifônica presa apenas à sua própria natureza? Possibilita a apreensão de dados concernentes a um “espaço biográfico”, como tratado por Leonor Arfuch, ou pelo seu caráter movente não permite tal abordagem? Talvez quando se trate do autor seja “fácil” responder a essas questões (uma vez que há tentativas nesse sentido); mas e quanto ao tradutor, como ele se comporta nesse quadro, já que a ele não foi outorgado um lugar na história e é, quando muito, tratado como invisível? A essas indagações tentarei responder quando da apresentação do trabalho aqui proposto.

Palavras-chave: Tradução • Tradutor • Sujeito • Subjetividade

PORTVIX: A Fala Capixaba no Cenário Nacional

Coordenação: Lilian Coutinho Yacovenco – UFES

Impressões Sociolinguistas da alternância Subjuntivo x Indicativo em Vitória comparadas com outros estudos

Astrid Franco Barbosa – UFES

 Nosso estudo se baseia em Rocha (1997), Macedo (2007) e Oliveira (2007), os quais analisaram a alternância do subjuntivo x indicativo em orações completivas. Fizemos o recorte da alternância de modo subjuntivo x indicativo a partir das células do Projeto Portvix da Universidade Federal do Espírito Santo. Vamos comparar as variáveis independentes selecionadas, em nossas análises iniciais, pelo programa Goldvarb X, com as selecionadas nos estudos já citados.

Palavras-chave: indicativo • subjuntivo • Portvix • comparação

Preenchimento do objeto direto anafórico: variação e mudança no português do Brasil

Aline Berbert Tomás Fonseca – UFES

Lilian Coutinho Yacovenco – UFES

Maria Marta Pereira Scherre – UFES/UNB/CNPQ

O preenchimento da posição de objeto direto anafórico há algum tempo chama a atenção de vários pesquisadores brasileiros. Em estudos sociolingüísticos realizados sobre o português falado em diversas cidades do Brasil, constatou-se que não só os clíticos acusativos de terceira pessoa funcionavam como objeto direto anafórico, mas também o pronome lexical, o sintagma nominal anafórico e a categoria vazia. O presente estudo, tomando por base os pressupostos da Teoria da Variação e da Mudança Lingüística, de William Labov (1972, 1994), objetiva pesquisar o preenchimento da posição do objeto direto anafórico na fala espontânea de Vitória-ES. Analisa, para isso, uma amostra composta de 24 entrevistas do Projeto PortVix (Projeto Português Falado na cidade de Vitória). Os resultados obtidos serão confrontados com os já apontados por outros pesquisadores para que se tenha um quadro mais completo da mudança que o português brasileiro vem sofrendo quanto ao uso dos clíticos acusativos.

Palavras-chave: objeto direto anafórico • sociolingüística • mudança linguística

 

A variação sintática entre as finais desenvolvidas e reduzidas: um alinhamento entre fala e escrita

Carlos Eduardo Deoclécio – UFES

Comunicação que visa à divulgação de resultados parciais de pesquisa sobre o caso de variação sintática entre as orações subordinadas adverbiais finais desenvolvidas e reduzidas, com base nos dados da língua falada (PORTVIX) e da língua escrita. Menos frequentes nos dois corpora, as desenvolvidas têm sua ocorrência favorecida quando nelas se explicita o sujeito, principalmente se este for diferente do que está na oração principal. Em contrapartida, a redução das finais é favorecida quando o seu sujeito é igual ao da principal, ocasião em que é bem menos explicitado, porque quase sempre é possível retomá-lo anaforicamente. Esse vínculo entre correspondência e explicitação dos sujeitos das orações pode ser interpretado pelo princípio funcionalista da iconicidade. Também será discutida a provável influência do fator nível de escolarização na variável em estudo.

Palavras-chave: variação sintática • orações finais • fala • escrita • iconicidade

Fala, Vitória! – A Variação do Imperativo em Vitória/ES e sua Posição no Cenário Nacional

Elaine Meireles Evangelista – UFES

Relatamos os resultados sobre a alternância no uso do imperativo gramatical na cidade de Vitória/ES, no que diz respeito às formas contemporaneamente associadas ao modo indicativo (fala/olha/deixa/diz) ou ao modo subjuntivo (fale/olhe/deixe/diga) em enunciados afirmativos e negativos da fala e da escrita, no contexto exclusivo do pronome você. Foram utilizados quatro corpora, a saber: (1) entrevistas do projeto “Português Falado na Cidade de Vitória – PortVix”, (YACOVENCO, 2000); (2) propagandas e títulos de colunas em dois jornais impressos locais, A Tribuna e A Gazeta; (3) tirinhas de Marly, a solteirona; e (4) fala da mídia televisiva em dois programas locais, Balanço Geral e Tribuna Notícias. Esses corpora nos deram uma visão mais ampla das tendências, já observadas em outras pesquisas, acerca da variação e da mudança do imperativo no português brasileiro,  além de nos possibilitar verificar qual o alinhamento  do uso do imperativo da cidade de Vitória no contexto nacional e também contribuir para o mapeamento do imperativo no Brasil.

Palavras- Chave: Variação Linguística • Imperativo gramatical • Variedade Capixaba • Português brasileiro

Influências do Gênero Discursivo no Uso das Perífrases com Gerúndio

 Jucilene Oliveira Sousa Basílio (UFES)

O uso de perífrases com gerúndio na língua portuguesa do Brasil tem sido recente objeto de estudos lingüísticos. Pretende-se, nesta comunicação, considerar a expansão das perífrases de gerúndio no português brasileiro e analisar o que tem sido rotulado de gerundismo como uma ampliação natural dos usos do gerúndio. Portanto, investigam-se as estruturas (estar+gerúndio), que alternam com o presente; as estruturas de [(auxiliar modal) + estar+gerúndio], que alternam com (modal)+infinitivo e as estruturas de (auxiliar ir+estar+gerúndio), que alternam com ir+infinitivo. Toma-se por base a Teoria Variacionista (Labov, 2008/1975), que considera a variação dos usos linguisticos como um sistema de regras variáveis passíveis de serem analisadas cientificamente por sua dimensão de usos. Para tal análise, investigam-se dados captados em ambientes que caracterizam contextos de gêneros discursivos orais, como relato de procedimento, relato de opinião, relato de experiência vivida, relato de acontecimentos e outros contextos argumentativos, tais como propagandas, vendas, atendimento a clientes, noticiário de jornal. 

Palavras-chave: gerúndio • variação e mudança lingüísticas • gêneros discursivos

A expressão do futuro: um comparativo entre o uso capixaba e o uso em outras regiões brasileiras

Leila Maria Tesch – UFRJ

 Os tempos verbais têm despertado o interesse de diversos pesquisadores do português brasileiro, principalmente os das Teorias Funcionalista e Sociolinguística Variacionista. O presente trabalho pretende retomar o tema sobre as formas de futuro, que já foi investigada por diversos lingüistas, de outras regiões brasileiras. Assim, pretende tratar a possibilidade de variação entre as formas futuro do presente e presente do indicativo, nas formas sintéticas (estudarei e estudo, respectivamente) e perifrásticas (irei estudar e vou estudar, respectivamente). Para isso, analisará dados de uso real da língua, nas modalidades falada e escrita. Na modalidade falada, serão analisados os dados do corpus PortVix. Na modalidade escrita, serão investigadas as ocorrências no jornal A Gazeta, na década de 1930 e em 2008.  A análise desses corpora propiciará um estudo comparativo entre o uso capixaba para a expressão do futuro e o uso em outras regiões brasileiras, como Rio de Janeiro e Florianópolis.

Palavras-chave: Futuro • Variação • Sociolinguística • Modalidade oral • Modalidade escrita

Vitória e Rio de Janeiro se alinham ou se distinguem? O caso da concordância de número no sintagma nominal

 Maria Marta Pereira Scherre – UFES/UnB/CNPq-PQ

Janaína Biancardi da Silva – UFES/IC

Estudos sobre a concordância nominal em amostras de fala de 1980 e de 2000 do Rio de Janeiro evidenciam aumento da concordância de número, nominal ou verbal. A concordância nominal, de 54% na década de 80, atinge 81% na década de 2000 (Scherre & Naro, 2006: 109). Amostras da fala de Vitória coletadas pelo PortVix em 2000 (Yacovenco, 2009) revelam alinhamento perfeito ao Rio: de 4093 dados analisados, 3989 apresentam concordância nominal, um percentual também de 81% (Silva e Scherre, 2010). Tendo esta questão em vista, vamos apresentar resultados comparativos entre as varáveis sociais (1) gênero, circunstâncias em que Vitória se distancia do Rio, revelando, inversamente, que os homens é que fazem mais concordância; e (2) faixa etária e (3) anos de escolarização, circunstâncias em que Vitória e Rio de Janeiro se alinham, com aumento da concordância em função do aumento da escolarização e da diminuição da faixa etária.

Palavras-chave: concordância nominal, fala capixaba, fala carioca, variáveis sociais, variação e mudança lingüística.

PORTVIX e a identidade linguística capixaba: alguns traços.

Coordenadora: Lilian Coutinho Yacovenco

A multirreferencialidade do pronome a gente na fala dos moradores de Vitória: um estudo comparativo.

Alexandre Kronemberger de Mendonça – UFES

Da variação entre o pronome nós e a forma a gente, surge uma nova forma pronominal: a forma a gente, que se estabelece como pronome pessoal pleno, sem, contudo, perder seu traço indeterminador, originário da formação substantiva. Entretanto, também se observa que, ao lado dessa referência indeterminada/genérica, também vem se firmando uma referência específica, o que, de certa forma, confere à forma a gente ainda mais status de pronome pessoal. Isto ratifica a gramaticalização do substantivo gente para pronome indefinido e, deste, para pronome pessoal, haja vista que ele assume uma nova função gramatical, sem deixar a sua própria característica. Nota-se que a forma a gente passa a ser mais gramatical, o que indica uma mudança lingüística. Pretende-se confrontar os resultados relativos à referencialidade obtidos a partir dos dados do corpus PortVix com os de outras pesquisas realizadas no Brasil.

Palavras-chave: Variação lingüística • nós/a gente • mudança semântica e processos de referenciação

 

A dupla negação no português falado em Vitória/ES

Cristiana Aparecida Reimann – UFES

A identidade linguística capixaba não se apresenta de forma bem definida com marcas fonéticas salientes que identificam o falante ao chegar a outro estado ou até mesmo no próprio estado do Espírito Santo. Todavia, o capixaba possui traços que constituem sua comunidade de fala e, ao que tudo indica, a dupla negação se caracteriza como um desses traços. O objetivo desta pesquisa consiste em verificar e analisar a ocorrência da dupla negação na fala capixaba, levando em consideração o contexto cultural e social dos falantes.  Para fins de verificação quanto à consideração da dupla negação como um traço linguístico característico da comunidade de fala capixaba, será feita uma comparação entre o fenômeno da dupla negação no português falado em Vitória/ES, a língua falada na cidade do Natal e o português falado da cidade de Salvador.

Palavras-chave: identidade linguística • comunidade de fala • dupla negação • variação • linguagem

Você e : pronomes de afirmação de identidade?

Elba Nusa Calmon – UFES

Apresentamos nesta comunicação as formas de expressão de 2ª pessoa, na cidade de Vitória (ES), tendo como variantes os pronomes você, ocê, cê. O aporte teórico é a Sociolinguística Variacionista. O corpus pesquisado foi o banco de dados de fala de Vitória – PORTVIX. Trabalhamos com o programa computacional GOLDVARB X. O efeito da faixa etária mostrou-se relevante: os falantes de mais de 49 anos (0,823) favorecem você, os de 26-49 (0,164) desfavorecem essa forma, assim como aqueles que estão na faixa etária de 15-25 (0,310). Há indício de que o pronome cê se encontrava em processo de implementação, contudo houve uma retração da forma. Comparamos nossa pesquisa com Ramos (BH), Coelho (Norte de MG) e Gonçalves (Arcos MG), locais onde o uso do pronome cê é mais frequente, e Andrade (Brasília), em que ocorre mais a forma você.

Palavras-chave: Sociolinguística • Pronomes • Variação Linguística

A minha Vitória… Ou seria MINHA Vitória?

Heitor da Silva Campos Júnior – UFES/CAPES

A finalidade deste estudo é investigar o caso da variação morfossintática ausência/presença de artigo definido antes de possessivos e antropônimos no Português falado na cidade de Vitória (ES). Tomando como referência os trabalhos de Silva (1982, 1996a, 1996b) e Callou e Silva (1997), foram selecionadas para esta amostra vinte entrevistas realizadas pelo Projeto PORTVIX com 20 informantes capixabas. De um modo geral, os resultados apontam que os capixabas da cidade de Vitória (ES) usam menos artigo do que outras regiões do País. Esse percentual foi de 38%, no contexto dos antropônimos, e 39% no contexto de pronomes possessivos, o que alinharia a capital do Espírito Santo, no contexto dos antropônimos, com Salvador (32%) e o Rio de janeiro (43%). Por outro lado, no contexto do possessivo, não haveria comparação razoável, uma vez que estaria distante das demais capitais brasileiras mencionadas no estudo de Callou e Silva (1997).

Palavras-chave: Sociolinguística • variação • artigo definido • Vitória-ES

Horizontes Bakhtinianos de Análise Discursiva

Coordenador: Luciano Novaes Vidon – UFES

A proposta desta mesa é integrar diferentes perspectivas de análise fundamentadas na teoria dialógica bakhtiniana. M. Bakhtin [1895-1975] procurou refletir, em sua vasta e complexa obra, sobre a linguagem em sua heterogeneidade constitutiva, concebida a partir da indissociabilidade da relação eu-outro. A teoria bakhtiniana permite abordar a linguagem sob diferentes olhares e perspectivas, incorporando, assim, corpora diversificados e temas plurais. Esta mesa é reflexo e refração disso. André Effgen de Aguiar analisa, em um corpus formado por revistas femininas, a função discursiva da pergunta retórica em sua interatividade simulada em discursos de autoajuda. Isaura Maria de Carvalho Monteiro coloca a teoria bakhtiniana para dialogar com o ensino de linguagem, indicando como conceitos como ato, autoria e alteridade podem contribuir para um processo linguístico-pedagógico mais significativo (responsivo-ativo). Ivan Almeida Rozário Júnior expõe os contornos iniciais de uma pesquisa sobre as vertentes do discurso dos adolescentes em conflito com a lei na medida socioeducativa. À luz bakhtiniana, discute o papel da exotopia na constituição discursiva desses sujeitos. Tatiana Moreira, também com base em princípios bakhtinianos, investiga o universo dos raps dos Racionais MC’s e o processo de (re)criação discursiva da periferia. A aposta final da mesa é um rico debate a partir desses diversos horizontes bakhtinianos de análise.

Palavras-chave: Bakhtin • Análise do Discurso • Dialogismo 

Pergunta Retórica: O Simulacro da Interação no Discurso de Autoajuda (um recorte de revistas femininas)

André Effgen de Aguiar – Mestre em Estudos Linguísticos – UFES

Embasados na Retórica de Aristóteles (s/d) e nos estudos de Plantin (1991) analisaremos, em um corpus retirado das revistas femininas Nova e Cláudia (2007), o uso da pergunta retórica como uma estratégia retórico-discursiva no discurso de autoajuda. Percebe-se que o uso dessa estratégia permite ao orador do discurso de autoajuda antecipar dúvidas, estabelecer conhecimentos prévios e, sobretudo, mexer com as paixões do público, tornando-se, assim, uma ferramenta fundamental para angariar a adesão do auditório. O uso da pergunta nesse tipo de discurso não representa uma dúvida a ser esclarecida, mas, ao contrário, exprime uma certeza por parte do orador; sendo assim, através do seu uso, ocorre um processo de monologização, pois o orador, por meio das perguntas retóricas, leva o auditório a assumir um papel de passividade, fazendo com que esse passe a agir de acordo com as vontades do orador-ditador, transformando o público num mero reprodutor do seu discurso.

Palavras-chave: Pergunta Retórica • Discurso de Autoajuda • Dialogismo • Interação

Adaptação de uma Lenda Indígena – da Narrativa ao Teatro: Traços de Autoria em Estudantes do Oitavo Ano

Isaura Maria de Carvalho Monteiro – Mestre em Estudos Linguísticos – UFES

O objetivo deste trabalho é analisar duas adaptações de uma narrativa indígena – A lenda da mandioca – realizadas por quatro alunas de duas turmas do oitavo ano em uma escola da rede municipal, na cidade de Vitória, ES. Os textos foram produzidos a partir da leitura da referida lenda com o propósito de transformá-la em uma peça teatral. Acredita-se que a conjunção entre leitura e escrita pode instaurar uma prática escolar criativa e aberta. Nessa perspectiva, é possível pensar com Bakhtin (1929) que “a compreensão é uma forma de diálogo”. Pode-se, então, dizer que, pela compreensão da palavra alheia, vislumbra-se um processo contínuo de constituição da singularidade de cada sujeito, mostrando nessa atitude “ativa e responsiva” o efeito de uma produção de autoria. Percebe-se que a alteridade, elemento matriz na construção do sentido, coloca o pesquisador diante de um verdadeiro trabalho investigativo. Tendo em vista os conceitos de ato, autoria, dialogia, gêneros e polifonia (BAKHTIN, 1919, 1926, 1929, 1972, 1975, 1979), direciona-se uma análise caracterizada por indicações ou pistas reveladas no interior dos corpora selecionados, que possibilitam perceber não só mecanismos linguísticos, mas especialmente os discursivos, objetivando um entendimento sobre traços de autoria na escrita das alunas. Optou-se pelo Paradigma Indiciário proposto por Ginzburg (1989), paradigma de investigação científica voltado para pesquisas qualitativas.

Palavras-chave: Autoria • Dialogia • Produção de Textos

A Relação de Alteridade na Perspectiva da Socioeducação

Ivan Almeida Rozário Júnior – Mestrando em Estudos Linguísticos – UFES

Este trabalho visa fomentar uma reflexão sobre a relação de alteridade que se pretende construir em um processo de intervenção socioeducativa junto aos adolescentes que cumprem medida socioeducativa de internação. Em princípio, apresentamos as concepções bakhtinianas de dialogismo, exotopia e alteridade. À luz dos estudos linguísticos, sob a ótica de Bakhtin, propusemos algumas questões que nos permitiram construir ilações acerca da construção da subjetividade, buscando compreender de que modo a relação de alteridade pode se realizar e contribuir significativamente no processo socioeducativo.

Palavras-chave: Socioeducação • Adolescente em conflito com a lei • Subjetividade • Alteridade

“Da Ponte pra Cá”: A (Re)Criação da Periferia

Tatiana Aparecida Moreira – Mestre em Estudos Linguísticos – UFES

Na periferia, são desenvolvidas e praticadas diferentes atividades culturais, como as realizadas pelo Movimento Hip Hop, por meio do b. boy com o break, do MC/rapper na produção e execução do rap, do grafiteiro com o graffiti e do DJ, na produção musical. Como “[…] a forma mais imediata de manifestação é de ordem cultural” (CERTEAU, 2001, p. 146), neste trabalho, tendo como suporte teórico metodológico os estudos de Bakhtin (1995, 2003) sobre dialogismo, atitude responsivo-ativa e exotopia, mostraremos como a recorrência à periferia, em raps do grupo Racionais MC’s, torna-a um “evento em processo” (BAKHTIN, 1993), ou seja, um lugar discursivo-cultural em constante composição.

Palavras-chave: cultura • periferia • raps

Uso das TICs em contextos educacionaisCoord.: Orivaldo de L. Tavares – DI/CT e Santinho F. de Souza – DLL/CCHN

Projetos de iniciação científica júnior e o uso das TICs

Orivaldo de Lira Tavares – UFES

Santinho Ferreira de Souza – UFES

Gisele Santos Martins – Letras-Português/UFES

Rafael Scardua de Araujo – Ciência da Computação/UFES

Este trabalho referencia e analisa as atividades propostas e executadas no contexto de dois projetos de iniciação científica júnior, realizados de maio/2009 até abril/2010, sob o patrocínio da FAPES em duas unidades públicas da Escola Básica do Espírito Santo. Os referidos projetos receberam o título “O olhar do estudante do ensino fundamental e médio sobre o ritual escolar: em busca do melhor recurso de registro digital da minha história em face do cotidiano da minha escola” e foram desenvolvidos na EMEF Álvaro de Castro Mattos (Vitória) e EEEFM Alfredo Lemos (Itaguaçu/Itaimbé). Duas razões justificaram a realização dos projetos: estimular a acuidade dos estudantes na percepção reflexiva sobre o cotidiano escolar e viabilizar-lhes experiências de uso de recursos tecnológicos mediadores da comunicação.

Palavras-chave: iniciação científica • escola básica • TICs

A produção de texto em língua portuguesa e o uso das TICs

Gisele Santos Martins – Letras-Português/UFES

Este trabalho está inserido no contexto de desenvolvimento dos projetos de iniciação científica júnior, sob o título “O olhar do estudante do ensino fundamental e médio sobre o ritual escolar: em busca do melhor recurso de registro digital da minha história em face do cotidiano da minha escola”, realizados, na EMEF Álvaro de Castro Mattos (Vitória ES) e EEEFM Alfredo Lemos (Itaguaçu/Itaimbé ES), entre maio/2009 e abril/2010, sob o patrocínio da FAPES, com registro na PROEX/UFES. Analisa o resultado das atividades propostas, tendo como perspectivas teóricas a pertinência dos AVAs – Ambientes Virtuais de Aprendizagem para a produção escrita no ambiente escolar e a pedagogia da pergunta como modo de intervenção no sentido de que o texto do aluno ganhe informatividade e argumentação e se organize com coesão e coerência.

Palavras-chave: língua portuguesa • produção textual • pedagogia da pergunta • AVA

Academia da Leitura – Rede Social de interatividade

Victor Viola – Ciência da Computação/UFES

A utilização da web em busca de aproximação entre a escola básica pública e a universidade foi a alternativa escolhida pelo programa de extensão RELer&fazer: Rede de Experiências em Leitura, tendo em vista o desenvolvimento da sua ação 7 – Academias da Leitura e em especial dos seus projetos de extensão em curso: Academia da Leitura Monteiro Lobato, destinada aos alunos do ensino fundamental, e Academia da Leitura Rubem Braga, com o envolvimento dos alunos do ensino médio. O portal das Academias da Leitura tem layout configurado sob a plataforma Moodle, ferramenta que possibilita a articulação de recursos e aplicativos possibilitadores de desenvolvimento de uma rede do social de interatividade em consonância com a expectativa dos estudantes.

Palavras-chave: web • rede social de interatividade • escola básica • universidade

Português para Estrangeiros: a experiência de Poitiers

Santinho Ferreira de Souza – UFES

Português para estrangeiros: a experiência de Poitiers está inscrito como curso de extensão/Proex/UFES e resultou do atendimento à manifestação de necessidade da Universidade de Poitiers, França, de que a três de seus alunos, matriculados no programa de Mestrado em Tecnologias Educativas EUROMIME, fosse ministrado um curso preparatório de formação em português entre 19 de abril e 31 de julho de 2010. As aulas foram conduzidas pelos resultados decorrentes da leitura e da compreensão de textos autênticos – notícias da imprensa falada e escrita, músicas, imagens, trechos de filmes – e da produção de textos, orais e escritos, especialmente estes últimos, sob a perspectiva teórica da pedagogia da pergunta, com uso freqüente de fórum de discussão e de postagem de trabalhos individuais e de produção coletiva.

 Palavras-chave: português para estrangeiros • pedagogia da pergunta • AVA

RELer&fazer: Rede de Experiências em Leitura – resultados e perspectivas

Coordenador: Santinho Ferreira de Souza – DLL/UFES

Núcleo de Comunicação: a leitura e a imprensa

Daniel Fernandes Vilela – Comunicação Social-Jornalismo/UFES

A proposta do Núcleo de Comunicação: a leitura e a imprensa é aproximar o programa de extensão RELer&Fazer – rede de experiências em leitura de seu público-alvo por intermédio da inserção do grupo em diversas mídias, sejam locais, sejam  próprias. Entre as atividades realizadas, encontram-se a manutenção de um house-organ digital, o Informa RELer, de periodicidade quinzenal, além da produção de releases e roteiros oferecidos aos núcleos de jornalismo ligados à universidade, como o Informa, a Rádio Universitária e a TV UFES. Desde o seu início, o projeto também procura propagar a rede pelo intermédio de diversos eventos. Para isso, conta com a produção de material escrito, fotografias, além das ações de marketing e divulgação.

Palavras-chave: leitura • imprensa • divulgação

Varal de Poesia

Daniel Fernandes Vilela – Comunicação Social-Jornalismo/UFES

O Varal de Poesia foi oferecido pelo projeto Núcleo de Comunicação: a leitura e a imprensa, vinculado ao programa de extensão RELer&Fazer – rede de experiências em leitura, como oficina da Semana Calórica do Curso de Comunicação Social no semestre de 2010/1. Participaram cinco calouros da habilitação de jornalismo, produzindo cada um cinco textos de uma página, com a finalidade de discutir gêneros, estilos e discursos do jornalismo e da literatura, bem como processos de hibridização. O resultado foi exposto no formato de um varal no CEMUNI V, prédio em que se concentram as aulas do curso de Comunicação, durante as duas primeiras semanas de aula, bem como durante os eventos de integração promovidos pelo Centro Acadêmico de Comunicação Social (Cacos).

Palavras-chave: leitura • varal de poesia • calouros.

Academia da Leitura Monteiro Lobato

Brenda Maria Soares e Ivonete Candido – EEEFM Hermann Berger / Santa Maria de Jetibá ES

Este trabalho está em desenvolvimento na EEEFM Hermann Berger, localizada em Santa Maria de Jetibá, ES, com inscrição confirmada no projeto Academia da Leitura Monteiro Lobato do programa de extensão RELer&fazer: Rede de Experiências em Leitura. A obra de Monteiro Lobato é referência de aproximação com os temas em debate na cotidianidade dos alunos e da comunidade de Santa Maria de Jetibá. A leitura da obra do autor vendo sendo realizada pelo exercício efetivo do ato de ler, nos momentos em que se discutem os temas apresentados ou se buscam informações sobre a vida e obra do autor. Autor e personagens ganham visibilidade e modernizam-se, nas representações gigantes, nos murais, pelas caricaturas e pelos desenhos variados, nas histórias em quadrinhos, e nos textos teatralizados.

Palavras-chave: leitura • Monteiro Lobato • ensino fundamental

Entre na roda: da memória individual à memória da escrita

Débora Aparecida Furieri Matos à memória escrita

A leitura como ponto de encontro, reflexão e entretenimento. Reunidos funcionários técnico-administrativos e alunos da UFES, está pronta a roda de leitura. Iniciado o diálogo, o texto é apresentado, lido e discutido pela troca de memórias e experiências entre os participantes da roda. O projeto Entre na Roda: da memória individual à memória escrita está vinculado ao programa de extensão RELer&fazer: Rede de Experiências em Leitura, e vem sendo desenvolvido desde maio de 2009, com a realização de encontros mensais, no período de março a dezembro, na Biblioteca Central.

Palavras-chave: leitura • memória • interação

Academia da Leitura Monteiro Lobato

Celmara Gama de Lelis – EMEF Serra Dourada e EMEF Irmã Dulce / Serra ES

Este trabalho relata e congrega as experiências de leitura da obra de Monteiro Lobato nas Escolas Municipais “Serra Dourada” e “Irmã Dulce”, do município da Serra, como resultado parcial de envolvimento com o projeto Academia da Leitura Monteiro Lobato, vinculado ao programa de extensão RELer&fazer: Rede de Experiências em Leitura. A receptividade da leitura de Monteiro Lobato junto aos professores, à direção e aos alunos está revelada na realização de atividades interdisciplinares, em nível de 6ª, 7ª e 8ª séries, tendo-se como referência e reflexão “O Minotauro”, “A Chave do Tamanho”, “Dom Quixote das Crianças”, “A Reforma da Natureza” e “Viagem ao Céu”.

Palavras-chave: leitura • Monteiro Lobato • ensino fundamental

Aventuras de Pinóquio em cordel

Cleonice M. Maulaz e Maria Beatriz F. Celestino – UMEF Gil Bernardes

Este trabalho foi desenvolvido, no ano de 2009, na unidade escolar UMEF Gil Bernardes, Vila Velha, ES, com o objetivo de despertar o interesse das turmas da sétima série pela literatura clássica. Aqui, inscreveram-se como referência básica as Aventuras de Pinóquio, livro e filme, o cordel como modo de representação, divulgação e socialização das leituras e reflexões feitas, e a relação possível de ação conjunta entre dois espaços, a sala de aula e a biblioteca. Organizadas essas referências, constituíram-se num cenário favorável de envolvimento dos alunos e desenvolvimento das ações previstas na perspectiva de que fossem alcançados os objetivos propostos, dentre os quais o entendimento da leitura como exercício de reflexão e compreensão da vida.

Palavras-chave: literatura clássica • filme • sala de aula • biblioteca

Cultivar a Leitura

Cesarina Machado Vieira e Teresinha Maria Mansur – Sementes de Vida – ES

Sementes de Vida.ES e RELer&fazer: Rede de Experiências em Leitura, inspirados na Leitura & Literatura, na Biodanza & Educação Biocêntrica, vêm tecendo laços afetivos, transdisciplinares e institucionais, para acontecerem modos de cultivar a leitura. São três os movimentos: 1. oficinas e rodas de conversa, nas Jornadas de Leitura Monteiro Lobato e Rubem Braga, em 2008 e 2010, na UFES, combinando música-movimento-vivência como recurso metodológico para qualificar o relato de práticas leitoras acontecidas nas Escolas de Ensino Fundamental e Médio do Estado do ES; 2. Roda de leitura comunitária, projeto em curso, tendo em vista parceria com a Paróquia Evangélica de Confissão Luterana em Barra de São Francisco. 3. Café e Poesia, em parceria com a Livraria Prazer da Prosa/ Sebo Torre de Papel e a Gráfica Mansur.

Palavras-chave: leitura biodanza parcerias laços afetivos

Processos Semânticos

Coordenação: Virginia Beatriz Baesse Abrahão – UFES

Tendo por base a Perspectiva da Produção do Sentido, os trabalhos de pesquisa aqui aglutinados pretenderam analisar alguns processos semânticos como fatores de inserção em um determinado modelo de linguagem. Além disso, pretendeu-se avaliar o significado da apreensão desses processos para os indivíduos a eles expostos.

Palavras-chave: Sentido • Metáfora • Recuperação de Linguagem • Semântica da LIBRAS

Metáfora e ensino: uma abordagem discursiva

Josefa Matias Santana – UFES

Com o propósito de observar como se estabelece a intenção de persuadir o ouvinte a aceitar o seu discurso, justificado pela necessidade de se compreender o uso da língua e os processos empregados na construção do sentido via jogo metafórico, recorre-se como aporte teórico para fundamentar este trabalho Mari (2008) com as considerações elementares de Ricoeur (2000), por quem a metáfora é apreciada como valor, dentro das possibilidades discursivas. De tal modo, para extrair o sentido das metáforas apontadas durante o processo de análise do corpus – os debates de Luiz Inácio Lula da Silva (Lula), veiculados pela TV Globo ao final da campanha de 1989 e na de 2002, enquanto candidato à Presidência da República – foram considerados os processos de produção de sentido para apreender a significação a partir das condições de produção e, logo depois, instaurar um exame comparativo entre os dois discursos. Dando prosseguimento ao trabalho, depois de verificar qual o tratamento dado à metáfora em alguns livros didáticos, observou-se a sua relevância e apontou-se possíveis propostas de uma abordagem discursiva em salas de aula de língua materna.

Palavras-chave: Análise de Discurso • Metáfora • Ensino

Reeducação em leitura e escrita: uma experiência com um paciente afásico por decorrência de Mal de Alzheimer

Pesquisadora: Bárbara Scalzer Maia – UFES

Essa pesquisa foi realizada em função do Trabalho de Conclusão de Curso de Graduação. Nela foi analisada, à luz da Perspectiva da Produação do Sentido, uma experiência por mim vivenciada, na qual reensinei um paciente de Alzheimer a ler e escrever. As seguintes questões nortearam as investigações: O que significa leitura e escrita, quando se trata de recuperação da linguagem de afásicos em decorrência do alzheimer? Há uma reapropriação de sentidos antigos ou há uma re-significação da realidade? Após relatar o processo de ensino-aprendizagem desse paciente, analisou-se as possibilidades e dificuldades inerentes ao processo, tendo em vista teorias sobre a leitura e a escrita, bem como teorias sobre o Alzheimer. Na perspectiva aqui defendida, o Alzheimer foi entendido como readaptação às condições de vida, ainda que seja uma doença degenerativa. Diluiu-se a idéia de fatalidade orgânica irreparável, privilegiando a construção de um novo modo de ser que a doença pode possibilitar. A linguagem do paciente foi observada dentro do quadro da metáfora e não como impossibilidade técnica na utilização de um instrumento chamado linguagem. Isso porque a linguagem foi observada dentro da dimensão do sujeito, e assim foi pensada nas suas nuances e possibilidades. Desse modo, entende-se que o paciente pode reencontrar formas de vida adequadas às suas novas condições e saborear esse novo modo de viver, com mais soltura e despreendimento, reaprendendo inusitadas formas de interação. O que se observou é que a recuperação da leitura e da escrita trouxe a esse p aciente uma melhor qualidade de vida. Entende-se, portanto, que a reeducação de pacientes, em todos os níveis de linguagem, pode significar um reencontro com a sociedade de seus pares.

Palavras-chave: Alzheimer • Produção de Sentido • Recuperação de linguagem

O referencial semântico na Língua Brasileira de Sinais

Pesquisador: Leonardo Lúcio Vieira Machado – UFES

Este trabalho de pesquisa consistiu em uma análise de como se dá a construção semântica na língua brasileira de sinais (Libras) tendo como comparativo a língua portuguesa. Se nesta última o sentido pode ser conseguido também ao nível da palavra, da frase e, ainda, do discurso, naquela, pelo que confirmou a pesquisa, não se dá de forma diferente. Inicialmente foi feita uma pesquisa de referenciais teóricos publicados na área de linguística, sobre a Libras, mas o que se encontrou até a conclusão da pesquisa foi pouquíssimo material referente à semântica – apensas complementações de pesquisas cujo foco era a morfologia ou a sintaxe. A coleta de dados para análise ocorreu no convívio com os surdos e por meio da observação de diálogos entre alunos surdos usuários da língua brasileira de sinais, do curso de graduação Letras Libras. O curso é ofertado na modalidade ensino à distância (EaD) pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em parceria com a Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), onde se localiza um pólo para os encontros presenciais. Durante as disciplinas do 1º e 2º períodos (2008/2 e 2009/1, tempo de observação para esta pesquisa), cinco palavras da língua portuguesa se destacaram por conta dos momentos de estranheza, de confusão entre os alunos. São elas: andar, cama, constituído, postura e morrer. Aparentemente palavras simples, mas que pelo fator polissêmico e por comporem locuções na língua portuguesa alteram fortemente seu sentido direto para os surdos usuários da Língua Brasileira de Sinais. Analisou-se, portanto, a apropriação do sentido dessas palavras, mais detidamente.

Palavras-chave: Língua Brasileira de Sinais • Letras libras • Semântica da língua de sinais

Semântica e Ensino

Coordenação: Virginia Beatriz Baesse Abrahão

Tendo por base a Perspectiva da Produção do Sentido, pretende-se abordar pesquisas sobre Sinonímia, Antonímia e Paráfrase, sob três aspectos: mapeamento dos estudos na área; abordagens teóricas mais discutidas e o trato dado a esses temas no ensino de línguas. Trata-se de três pesquisas realizadas na Iniciação Científica sob o viés da Linguística, sendo o Sentido o nosso foco da análise.

Palavras-chave: Sentido • Antonímia • Sinonímia • Paráfrase

Paráfrase e ensino

Pesquisador: Marcos Antônio Cruz de Araújo – UFES

Este projeto de pesquisa visa analisar o papel da paráfrase no ensino de língua materna no nível médio da escola brasileira. Pretende-se, primeiramente, o exame dos subsídios teóricos que darão sustentação à pesquisa. Num segundo momento será feita uma pesquisa de coleta de dados em manuais didáticos. A perspectiva teórica adotada é discursiva, tendo por base a perspectiva da produção do sentido. O objetivo primordial desse trabalho é pensar o ensino da paráfrase na medida em que faz avançar as discussões sobre a temática, pois o conceito de paráfrase tem sido tratado como sendo uma repetição que diz, novamente, algo já dito: o que não pode ser verificado quando da observação dos dados, das construções discursivas e dos termos sinônimos, pois se não existem sinônimos perfeitos tampouco há a paráfrase perfeita. Assim, este movimento de redizer/reconstruir será analisado de forma a esclarecer suas imbricações teóricas e sua abordagem em sala de aula.

Palavras-chave: Paráfrase • Produção do Sentido • Ensino

Antonímia e dualismo: questões sobre o ensino de línguas.

Pesquisador: Romano Antonio Scardua Modenesi Pereira – UFES

Nesta pesquisa pretendeu-se buscar o dualismo, a partir dos seus pressupostos filosóficos, com o propósito de melhor compreender a antonímia e a sua presença nos estudos linguísticos. Após essa discussão de cunho linguístico-filosófico pretendeu-se avaliar a importância ou não desse conceito e sua aplicabilidade ao ensino de línguas.

Palavras-chave: Antonímia • Dualismo • Ensino

 

Sinonímia e ensino

Pesquisadora: Carolina Augusta Borges Caldeira – UFES

Este projeto de pesquisa teve por tema o papel da sinonímia no ensino de línguas. Pretendeu-se, no primeiro momento, o exame dos subsídios teóricos que deram sustentação à pesquisa. Num segundo momento foi feita uma pesquisa de coleta de dados em manuais didáticos e através de entrevistas com professores. A perspectiva teórica adotada foi discursiva, tendo por base a perspectiva da produção do sentido. O objetivo primordial desse trabalho foi fazer avançar as discussões sobre a temática, pois o conceito de sinônimo tem sido tratado como consensual e homogêneo, o que não pode ser verificado quando da observação dos dados, já que não existem sinônimos perfeitos.

Palavras-chave: Sinonímia • Produção do Sentido • Ensino

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